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Câncer Ósseo – O que você precisa saber?

Câncer Ósseo – O que você precisa saber?

Diferente do que muitos pensam, o osso não é uma "pedra" inerte; ele é um órgão vivo, que se renova o tempo todo. Quando esse processo de renovação sai do controle e as células passam a se multiplicar de forma desordenada, temos então uma possível formação de câncer. Dizemos “possível” porque nem todo tumor no osso é câncer. Existem tumores benignos que crescem ali, mas não têm a capacidade de se espalhar. O câncer (tumor maligno), por outro lado, apresenta risco à saúde e tem a capacidade de afetar outros órgãos e tecidos. E é sobre ele que vamos falar neste artigo.

Tumores primários

Quando o câncer começa no próprio osso, chamamos de tumor primário. Eles não são os mais comuns em adultos, mas vamos listar aqui os três tipos mais comuns:

  • Osteossarcoma: tem uma personalidade mais agressiva e costuma gostar da região dos joelhos e braços. Embora seja mais frequente em adolescentes, ele também aparece em adultos acima dos 60 anos.
  • Condrossarcoma: este nasce na cartilagem. Diferente do osteossarcoma, ele costuma ser menos agressivo, aparecendo com mais frequência em adultos de meia-idade e idosos, principalmente na bacia e nos ombros.
  • Sarcoma de Ewing: um tumor mais raro e bastante agressivo, que pode surgir tanto no osso quanto nas partes moles ao redor.

Tumores por metástase

Esta é a situação mais vista quando se trata de câncer ósseo. Muitas vezes, o câncer não começou no osso; ele veio de outro lugar, como mama, próstata ou pulmão, se espalhou e chegou aos ossos.

É importante entender que, se um câncer de mama vai para o osso, por exemplo, ele continua sendo câncer de mama e será tratado com medicações específicas para mama. O osso, nesse caso, é o local que está recebendo esse tumor que podemos descrever como um “visitante indesejado”. Hoje, com a evolução da medicina, temos tratamentos excelentes para fortalecer esses ossos e controlar a doença por muito tempo, mantendo a qualidade de vida.

O que aumenta o risco?

O câncer ósseo primário não tem causas tão claras. No entanto, alguns fatores acendem o nosso sinal de alerta:

  1. Síndromes Genéticas: algumas condições raras herdadas podem aumentar a predisposição, como:
    • Síndrome de Li-Fraumeni: causada por uma mutação no gene TP53. Pessoas com essa síndrome têm um risco aumentado para vários tipos de câncer, incluindo o osteossarcoma.
    • Retinoblastoma Hereditário: Crianças que tiveram esse tumor ocular específico devido a uma mutação no gene RB1 possuem uma chance maior de desenvolver osteossarcoma mais tarde, na adolescência ou vida adulta.
    • Síndrome de Rothmund-Thomson: Uma condição rara que causa alterações na pele e esqueléticas, também elevando o risco de tumores nos ossos.
  2. Doença de Paget: Uma condição benigna do osso que, em casos raros, pode evoluir para um tumor.
  3. Radiação anterior: Pessoas que precisaram fazer radioterapia no passado por causa de outro câncer podem ter um risco levemente aumentado naquela área específica.

Os fatores de risco não se aplicam ao câncer ósseo por metástase, uma vez que não se trata de um tumor ósseo, mas sim um tumor de outra região que atingiu o osso ao se espalhar.

Quais são os sintomas?

O osso é silencioso até certo ponto. Fique atento aos seguintes sinais:

  • Dor persistente: não é aquela dor de "jeito mal dado" que passa com um descanso. É uma dor que muitas vezes piora à noite ou quando você está em repouso.
  • Inchaço ou nódulo: uma área inchada ou uma massa que você consegue sentir ao tocar o osso.
  • Fraturas espontâneas: o osso fica tão fragilizado pelo tumor que pode quebrar em um movimento comum, como virar-se na cama ou caminhar.
  • Claudicação: começar a mancar sem um motivo óbvio (como uma queda).

Como cuidamos disso?

A medicina oncológica moderna não olha apenas para o tumor, olha para a pessoa. O tratamento é sempre um trabalho de equipe, envolvendo profissionais como o cirurgião ortopedista, oncologista clínico e radioterapeuta. As principais abordagens que utilizamos são:

  • Cirurgia: o objetivo é retirar o tumor com margens de segurança. Hoje, fazemos de tudo para preservar o membro e a função motora.
  • Quimioterapia e Imunoterapia: usamos armas químicas potentes para destruir células cancerosas que possam estar circulando no sangue.
  • Radioterapia: excelente para controlar a dor e destruir focos específicos de tumor.

O que você pode fazer para se prevenir ou ter um diagnóstico precoce?

Como não há um fator de risco comportamental claro, a prevenção do câncer ósseo primário é difícil. Mas o diagnóstico precoce é sim alcançável.

A regra é: não ignore dores ósseas que duram mais de duas semanas. Se você tem um histórico de outro câncer (mama, próstata, etc.) e começou a sentir uma dor nova nas costas ou no quadril, procure seu oncologista. Um exame de imagem ou uma cintilografia óssea podem ser o divisor de águas na identificação de um câncer ósseo.

Redação: Thomas Shepherd

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