Existe tratamento para a leucemia?
A dúvida se "existe tratamento para a leucemia?" é uma das mais importantes e frequentes quando se recebe o diagnóstico dessa doença.
A resposta é sim: a leucemia tem tratamento, e os avanços da medicina nas últimas décadas transformaram significativamente o prognóstico de pacientes diagnosticados com essa condição.
Compreender as opções terapêuticas disponíveis e as perspectivas de cura é fundamental para quem enfrenta a doença ou tem casos na família.
O que é Leucemia?
A leucemia é uma neoplasia maligna (câncer) dos glóbulos brancos, as células que compõem nosso sistema de defesa contra agentes invasores.
Essa doença afeta crianças e adultos e tem como principal característica o acúmulo de células jovens ou imaturas anormais (blastos) na medula óssea, local de produção das células do sangue.
Quando essas células anormais se multiplicam descontroladamente, elas impedem a produção adequada de células sanguíneas saudáveis, resultando em sintomas como anemia, infecções frequentes e sangramentos.
Tipos de Leucemia e suas características
Para entender as opções de tratamento, é essencial conhecer os principais tipos de leucemia.
A doença é classificada em duas categorias principais: linfoide e mieloide. Além disso, são divididas em agudas (progressão rápida) ou crônicas (progressão lenta).
Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA)
A LLAé o tipo mais comum de câncer infantil, representandoaproximadamente88% dos casos de leucemia em crianças.
A doença também pode afetar adultos, embora com menor frequência. Caracteriza-se por uma superprodução de glóbulos brancos imaturos denominados linfoblastos.
Leucemia Mieloide Aguda (LMA)
A LMA afeta tanto adultos como crianças, sendo mais comum em adultos, especialmente acima dos 60 anos.
Na LMA, a medula óssea produz um grande número de blastos que não amadurecem adequadamente, tornando-se incapazes de desempenhar suas funções.
Leucemia Linfocítica Crônica (LLC)
A LLC é a leucemia mais comum em adultos, afetando principalmente pessoas acima dos 50 anos.Desenvolve-se lentamente, muitas vezes sem causar sintomas visíveis.
Leucemia Mieloide Crônica (LMC)
A LMC é causada por um defeito genético específico - a translocação do cromossomo 9 e 22 (cromossomo Philadelphia), produzindo o BCR-ABL.
No caso da LMC, ela representa 15% a 20%de todos os casos de leucemia.
Tratamentos disponíveis para Leucemia
A boa notícia é que existem múltiplas modalidades de tratamento para leucemia, e a escolha depende do tipo específico da doença, idade do paciente, estado geral de saúde e características genéticas das células leucêmicas.
Quimioterapia
A quimioterapia é o tratamento mais utilizado para leucemia. Para leucemias agudas, o paciente precisa ser tratado imediatamente, com o objetivo de alcançar a remissão do tumor.
O tratamento da LMA geralmente começa com quimioterapia, sendo dividido em fase de indução (que objetiva a remissão) e consolidação (destruição de células residuais).
Para a LLA, atualmente a poliquimioterapia (mais de um quimioterápico) é o principal tratamento em crianças e adolescentes. A taxa de pacientes que alcançam remissão completa é considerada alta (90%).
Terapia-alvo
A terapia-alvo é um tipo de tratamento que usa medicamentos que detectam e combatem as células cancerígenas, preservando as células saudáveis.
Para a LMC, o principal tipo de tratamento utilizado é direcionado, sendo a terapia alvo um dos principais. O alvo é a proteína anormal BCR-ABL, causadora do crescimento desordenado das células de LMC.
O tratamento de primeira linha da LMC é com inibidor da tirosina quinase, medicamentos que revolucionaram o tratamento dessa forma de leucemia.
Imunoterapia
A imunoterapiaé um tipo de tratamento que fortalece o sistema imunológico, ajudando a combater as células cancerígenas. Alguns pacientes com leucemia linfocítica crônica recebem imunoterapia utilizando anticorpos monoclonais.
Para a LLA, a imunoterapia utiliza substâncias que estimulam o sistema imune para ajudar o corpo a combater o câncer, incluindo anticorpos monoclonais que se ligam a antígenos nas células leucêmicas.
Radioterapia
A radioterapia usa raios de elevada energia para matar as células cancerígenas. É geralmente indicada quando há risco do câncer se espalhar para outras áreas do corpo, podendo ser feita em combinação com a quimioterapia.
Transplante de Medula Óssea
O transplante de medula óssea ou transplante de células-tronco hematopoéticastem papel muito importante no tratamento da leucemia e revolucionou a evolução dos pacientes, aumentando os índices de cura da doença.
Um transplante pode ser realizado para aumentar as chances de cura da leucemia, permitindo a administração de doses ainda maiores de quimioterapia do que o paciente normalmente poderia tolerar.
Existem dois tipos principais:
Transplante Alogênico: Os pacientes recebem células-tronco de um doador 100% compatível, que pode ser um parente ou não. O transplante alogênico cria um novo sistema imune para o paciente.
Transplante Autólogo: Os pacientes recebem suas próprias células-tronco, embora não seja comumente utilizado para LLA.
A Leucemia tem cura?
Sim, muitos tipos de leucemia podem ser curados, especialmente quando diagnosticados precocemente e tratados adequadamente.
Leucemia em crianças
As notícias são especialmente encorajadoras para crianças com leucemia. Nas crianças atendidas em centros especializados pediátricos, as taxas de cura são superiores a 80%.
A taxa de sobrevida global em 5 anos para crianças com leucemia linfoblástica aguda (LLA) é de aproximadamente 90%. Para leucemia mieloide aguda em crianças, a taxa situa-se entre 65% e 70%.
No Brasil, até o final da década de 70, as taxas de sobrevida em 5 anos eram inferiores a 10%.
Com o passar dos anos e a atualização dos protocolos de tratamento, a sobrevida global e a sobrevida livre de eventos em cinco anos atingiu valores de 92,5% e 83,6%, respectivamente, embora no Brasil a sobrevida ainda fique abaixo de 70% em algumas regiões.
Leucemia em adultos
Alguns tipos de leucemia podem ser curados, especialmente quando diagnosticados precocemente. As leucemias agudas (como LLA e LMA) podem alcançar cura com quimioterapia intensiva e, em casos selecionados, transplante de medula óssea.
As leucemias crônicas (LMC e LLC) geralmente não têm cura definitiva, mas podem ser controladas por muitos anos com medicamentos modernos, permitindo que os pacientes tenham qualidade de vida próxima ao normal.
Para a LLC, muitos pacientes vivem por mais de 10 anos após o diagnóstico, especialmente aqueles com formas indolentes e de baixo risco.
Diagnóstico precoce salva vidas
O diagnóstico e tratamento precoces fazem toda a diferença no prognóstico da leucemia, garantindo maiores taxas de cura.
Sintomas como:
- Fadiga persistente;
- Infecções frequentes;
- Sangramentos;
- Hematomas inexplicáveis;
- Febre sem causa aparente;
- Perda de peso e dor óssea que merecem atenção médica especializada.
Muitas pessoas com leucemia aguda podem ser curadas, especialmente quando o tratamento é iniciado rapidamente. Uma leucemia crônica que não apresente sintomas pode não necessitar de tratamento imediato, mas requer acompanhamento médico regular.